Distrito Federal
Imagino que, mesmo depois de anos vivendo em Brasília, seja impossível para qualquer pessoa não continuar se sentindo estrangeira. Porque a capital federal é tudo – com suas qualidades e defeitos – menos uma cidade, ou aquilo que a gente conhece e entende como sendo uma cidade.
Acabo de voltar de alguns dias lá. E foi por isso que este blog ficou sem atualização – total e absoluta falta de tempo.
Gostaria de ter melhores habilidades como fotógrafa, equipamento adequado e tempo para captar mais imagens. Porque aquela arquitetura e aquele céu continuam me deslumbrando, mesmo depois de tantas vezes já ter visitado a cidade.
Fui para um seminário que discutiu o futuro da profissão de jornalista, sob o impacto das novas tecnologias e novas mídias. Me enfurnei no evento durante três dias seguidos. Sobre isso – o seminário - falo mais adiante. Por enquanto, mais impressões sobre BSB.
Dessa imagem eu gostei:

E essa é uma tentativa frustrada de captar a maravilhosa e indescritível ponte JK, numa noite de garoa e após alguns drinques:

Lá o povo chama de “ponte do Roriz”: porque ele ergueu essa obra de arte depois de uma gestão inteira do PT, que teve a idéia, encomendou o projeto, mas demorou tanto discutindo o assunto que acabou o mandato do Christovam Buarque e a ponte ficou no papel. Dizem também que o Roriz desviou um mar de dinheiro por baixo da ponte. Aqui – numa foto que não é minha – dá pra sentir um pouco da beleza do monumento:

Saindo do seminário, no complexo Caixa Cultural, ao lado do prédio do Banco Central, fiz mais algumas imagens:


Porque, mesmo sendo época de chuva e o céu não estar exibindo aquele azul abissal do planalto central na época da estação seca, olhar para o alto em Brasília é sempre uma experiência.

Noites em Brasília

Fui comer sushi com amigos em um bar/restaurante na beira do lago. Ao nosso lado sentou-se o Marcos Winter, o ator, que já foi da Globo, SBT, sei lá; foi marido da Paloma Duarte; e continua com essa cara de menino sapeca:

Claro que a curiosa aqui perguntou o que ele estava fazendo na capital federal. Gravando JK? (Na noite anterior, passeando de carro, percebemos a Globo gravando cenas da minissérie na cidade). Imagina: eu não assisto JK e nem sabia que o rapaz não está no elenco. Marcos Winter me explica, entusiasmado, que como ator está “desempregado”. Agora ele é militante dos direitos humanos. Vai a Brasília uma vez por mês participar da reunião do Conselho de Segurança Alimentar, do qual participa; fundou uma ONG no Rio, chamada Humanos Direitos, que semana que vem inaugura site; estuda Física Quântica, está apaixonado pelo assunto e pensa em montar uma peça sobre o tema.
Muita conversa depois – filmes, a caretice de Curitiba, teatro, livros, Fritjof Capra e Stephen Hawking, etc – ele, que tem duas filhas, diz que adoraria ter um filho, menino, mas não encontra mulher. “Cara, a mulherada tá muuuuito chaaataaaaa!”, ri. Meu amigo, três vezes descasado e sem a menor perspectiva nem vontade de casar de novo, que até então estava meio quieto na conversa, ganha voz: “Caraaaaa! É isso que eu digo sempre! Não tá dando pra aguentar essas mulheres grudentas, neuróticas, estressadas, controladoras!”… e por aí afora.
Pronto. Eu e as outras duas representantes do sexo feminino assistimos, meio constrangidas, àquela explosão de testosterona autoafirmativa, àquele desabafo macho-pra-caramba, àquela desopilação de fígados reprimidos por anos e anos de pegação no pé, àquela confraria masculina subitamente estabelecida e juramentada sob pilares de convicções inabaláveis de macheza ferida em seus instintos mais básicos.
O pior – ou melhor – é que concordo com eles.
Terminamos a noite assim – todos os cinco rindo, mas acho que um riso meio amarelo. E eu fui tentar fotografar a ponte JK pra mostrar pro João, meu filho de oito anos, que esteve em Brasília em 2003 e disse lembrar que “é uma cidade muito linda, principalmente à noite”.
Noite seguinte, sou conduzida ao templo do poder. O restaurante Piantella, onde se encontram políticos, empresários, jornalistas e poderosos em geral.
O ambiente é cheio de senhores de meia-idade engravatados. De cara, minha anfitriã, uma moradora de Brasília enturmadíssima, que milita na política e trabalha no governo, cumprimenta Paulo Brossard. Dois passos adiante, sou apresentada a Miro Teixeira. Minutos depois, reconheço Ricardo Noblat em uma mesa enorme, paro pra conversar com ele – um dos palestrantes do seminário de jornalismo, naquele exato dia, ele não pôde comparecer pessoalmente mas participou via telefone. Trocamos idéias, damos risadas, e em seguida, ao sentar na nossa mesa, vejo Daniel Pimentel Slaviero, neto do meu ex-patrão, Paulo Pimentel. Jovem, muito jovem, é diretor da TV Iguaçu e vice-presidente da Abert. Está em Brasília para reunião da associação.
Bacana é esse cara:

Maninho, barman do Piantella, faz o melhor Manhattan que já experimentei nessa minha vida. Profissional. Garantido.
A noite no Piantella fervilhava especialmente, pois fora o dia do anúncio oficial de Alckmin como candidato do PSDB. Os tucanos-mor estão todos em São Paulo nesse dia, mas a notícia repercute na capital federal, é o assunto do momento. Passando entre as mesas, ouço a política, sinto a política, respira-se política: quase posso pegá-la no ar. Impossível estar em Brasília e ficar alheio à política.
O sorridente e o taciturno
Um ri demais. O outro tem cara de quem está sempre prestes a anunciar uma tragédia. Um está animado com o emprego novo, parece criança que acabou de abrir presente de Natal. O outro, curvado sobre a bancada, dá impressão de carregar o peso do mundo – e de suas péssimas notícias – sobre os ombros.
Eu prometi que assistiria à primeira semana do Carlos Nascimento no comando do novo Jornal do SBT para comentar aqui. Consegui fazê-lo por três dias seguidos, zapeando com o Jornal da Globo. O horário me derrubou: muito tarde, preciso acordar cedo.
Ficou a seguinte impressão: Nascimento, em sua postura simpática, passou do limite. Ri demais. Trata todos os assuntos com leveza demais. Falar da ocupação dos morros cariocas pelo Exército com um risinho no canto da boca? Menos, menos. Tudo bem que o cara que assiste jornal a essa hora já está derrubado no sofá – ou na cama – meio morto de cansaço. E fica complicado manter esse cara ligado no teu jornal. Mas tentar virar amigo de infância desse telespectador, com jeito de quem vai em seguida convidar pra tomar uma cerva no boteco da esquina, também não dá.
Pulo pra Globo. William Waack trabalha no tom oposto. É sério demais. Tudo pesa. O mundo é difícil. A vida é difícil. Apresentar um jornal é difícil. Ficar sentada no sofá é difícil.
Levanto pra pegar uma Coca com gelo. O JG veicula, naquela semana, uma série especial sobre exploração de meninas e turismo sexual em Fortaleza e Natal. Bacana. Boa pauta. Produção caprichada. Repórter competente. Edição esperta. Tudo dez. Mas aí a Globo vai e pisa no tomate no lugar de sempre. Repete o mesmo erro: dramatiza a notícia. Por mais correta que caminhe a matéria, chega o momento da apelação. Não basta fazer o telespectador se informar, pensar com seus próprios miolos e tirar suas conclusões: é preciso fazê-lo chorar, se indignar, pular do sofá, esbravejar. Pra quê?
Ainda sobre Nascimento: acaba de assumir a bancada. Pretende aumentar a equipe, ter mais repórteres próprios, correspondentes no exterior. Beleza. O mercado agradece. Empregos, oportunidades, movimentação. Vamos ver se encontra a linguagem, o tom certo.
Para onde vamos nós, jornalistas
Sobre o seminário de jornalismo em Brasília, enviei relatos diários para o Comunique-se, mas não deu tempo de abordar – nem aprofundar – os assuntos. Vou organizar as anotações – são muitas – e comentar aqui, tema por tema, pra não ficar chato, a partir de segunda-feira.
Um texto com uma visão bastante pessoal e crítica do assunto como um todo será publicado breve em outro site sobre comunicação e jornalismo. Isso, se os editores aprovarem. Aviso aqui assim que for pro ar.
Seção “continuo errando meu cabelo”
Ela é uma gata, com seus 48 anos recém-completados. O filme, claro, nós sabemos, é uma bomba – mas eu, você e toda a torcida do Corinthians vamos assistir, nem que seja em casa, escondido, no DVD, pra matar a curiosidade. Nós também sabemos que ela está ficando meio doida, que esse negócio de envelhecer em Hollywood é complicadíssimo, que o Botox nem sempre é bem aplicado.
Estou falando de Sharon Stone e da reencarnação da escritora homicida e bissexual Catherine Trammel em Instinto Assassino 2. Mas alguém pode me explicar porque ela continua insistindo em errar nos penteados?

Vassoura-plantada-na-cabeça? (cena do filme)

Botei-o-dedo-na-tomada? (na estréia em Londres)



















