sexomentirasefilmes

tudo que eu gosto de fazer, comentar, observar, xeretar, cabe em uma destas três definições: sexo, mentiras e filmes. sexo vale pra quase tudo do comportamento humano (e animal). mentiras também - mas é especialmente apropriado para falar sobre jornalismo, minha profissão. e filmes... bom, cinema é todo o resto.

Friday, March 17, 2006

Distrito Federal

Imagino que, mesmo depois de anos vivendo em Brasília, seja impossível para qualquer pessoa não continuar se sentindo estrangeira. Porque a capital federal é tudo – com suas qualidades e defeitos – menos uma cidade, ou aquilo que a gente conhece e entende como sendo uma cidade.

Acabo de voltar de alguns dias lá. E foi por isso que este blog ficou sem atualização – total e absoluta falta de tempo.

Gostaria de ter melhores habilidades como fotógrafa, equipamento adequado e tempo para captar mais imagens. Porque aquela arquitetura e aquele céu continuam me deslumbrando, mesmo depois de tantas vezes já ter visitado a cidade.

Fui para um seminário que discutiu o futuro da profissão de jornalista, sob o impacto das novas tecnologias e novas mídias. Me enfurnei no evento durante três dias seguidos. Sobre isso – o seminário - falo mais adiante. Por enquanto, mais impressões sobre BSB.

Dessa imagem eu gostei:



E essa é uma tentativa frustrada de captar a maravilhosa e indescritível ponte JK, numa noite de garoa e após alguns drinques:



Lá o povo chama de “ponte do Roriz”: porque ele ergueu essa obra de arte depois de uma gestão inteira do PT, que teve a idéia, encomendou o projeto, mas demorou tanto discutindo o assunto que acabou o mandato do Christovam Buarque e a ponte ficou no papel. Dizem também que o Roriz desviou um mar de dinheiro por baixo da ponte. Aqui – numa foto que não é minha – dá pra sentir um pouco da beleza do monumento:



Saindo do seminário, no complexo Caixa Cultural, ao lado do prédio do Banco Central, fiz mais algumas imagens:





Porque, mesmo sendo época de chuva e o céu não estar exibindo aquele azul abissal do planalto central na época da estação seca, olhar para o alto em Brasília é sempre uma experiência.



Noites em Brasília



Fui comer sushi com amigos em um bar/restaurante na beira do lago. Ao nosso lado sentou-se o Marcos Winter, o ator, que já foi da Globo, SBT, sei lá; foi marido da Paloma Duarte; e continua com essa cara de menino sapeca:



Claro que a curiosa aqui perguntou o que ele estava fazendo na capital federal. Gravando JK? (Na noite anterior, passeando de carro, percebemos a Globo gravando cenas da minissérie na cidade). Imagina: eu não assisto JK e nem sabia que o rapaz não está no elenco. Marcos Winter me explica, entusiasmado, que como ator está “desempregado”. Agora ele é militante dos direitos humanos. Vai a Brasília uma vez por mês participar da reunião do Conselho de Segurança Alimentar, do qual participa; fundou uma ONG no Rio, chamada Humanos Direitos, que semana que vem inaugura site; estuda Física Quântica, está apaixonado pelo assunto e pensa em montar uma peça sobre o tema.

Muita conversa depois – filmes, a caretice de Curitiba, teatro, livros, Fritjof Capra e Stephen Hawking, etc – ele, que tem duas filhas, diz que adoraria ter um filho, menino, mas não encontra mulher. “Cara, a mulherada tá muuuuito chaaataaaaa!”, ri. Meu amigo, três vezes descasado e sem a menor perspectiva nem vontade de casar de novo, que até então estava meio quieto na conversa, ganha voz: “Caraaaaa! É isso que eu digo sempre! Não tá dando pra aguentar essas mulheres grudentas, neuróticas, estressadas, controladoras!”… e por aí afora.

Pronto. Eu e as outras duas representantes do sexo feminino assistimos, meio constrangidas, àquela explosão de testosterona autoafirmativa, àquele desabafo macho-pra-caramba, àquela desopilação de fígados reprimidos por anos e anos de pegação no pé, àquela confraria masculina subitamente estabelecida e juramentada sob pilares de convicções inabaláveis de macheza ferida em seus instintos mais básicos.

O pior – ou melhor – é que concordo com eles.

Terminamos a noite assim – todos os cinco rindo, mas acho que um riso meio amarelo. E eu fui tentar fotografar a ponte JK pra mostrar pro João, meu filho de oito anos, que esteve em Brasília em 2003 e disse lembrar que “é uma cidade muito linda, principalmente à noite”.

Noite seguinte, sou conduzida ao templo do poder. O restaurante Piantella, onde se encontram políticos, empresários, jornalistas e poderosos em geral.

O ambiente é cheio de senhores de meia-idade engravatados. De cara, minha anfitriã, uma moradora de Brasília enturmadíssima, que milita na política e trabalha no governo, cumprimenta Paulo Brossard. Dois passos adiante, sou apresentada a Miro Teixeira. Minutos depois, reconheço Ricardo Noblat em uma mesa enorme, paro pra conversar com ele – um dos palestrantes do seminário de jornalismo, naquele exato dia, ele não pôde comparecer pessoalmente mas participou via telefone. Trocamos idéias, damos risadas, e em seguida, ao sentar na nossa mesa, vejo Daniel Pimentel Slaviero, neto do meu ex-patrão, Paulo Pimentel. Jovem, muito jovem, é diretor da TV Iguaçu e vice-presidente da Abert. Está em Brasília para reunião da associação.

Bacana é esse cara:



Maninho, barman do Piantella, faz o melhor Manhattan que já experimentei nessa minha vida. Profissional. Garantido.

A noite no Piantella fervilhava especialmente, pois fora o dia do anúncio oficial de Alckmin como candidato do PSDB. Os tucanos-mor estão todos em São Paulo nesse dia, mas a notícia repercute na capital federal, é o assunto do momento. Passando entre as mesas, ouço a política, sinto a política, respira-se política: quase posso pegá-la no ar. Impossível estar em Brasília e ficar alheio à política.

O sorridente e o taciturno

Um ri demais. O outro tem cara de quem está sempre prestes a anunciar uma tragédia. Um está animado com o emprego novo, parece criança que acabou de abrir presente de Natal. O outro, curvado sobre a bancada, dá impressão de carregar o peso do mundo – e de suas péssimas notícias – sobre os ombros.

Eu prometi que assistiria à primeira semana do Carlos Nascimento no comando do novo Jornal do SBT para comentar aqui. Consegui fazê-lo por três dias seguidos, zapeando com o Jornal da Globo. O horário me derrubou: muito tarde, preciso acordar cedo.

Ficou a seguinte impressão: Nascimento, em sua postura simpática, passou do limite. Ri demais. Trata todos os assuntos com leveza demais. Falar da ocupação dos morros cariocas pelo Exército com um risinho no canto da boca? Menos, menos. Tudo bem que o cara que assiste jornal a essa hora já está derrubado no sofá – ou na cama – meio morto de cansaço. E fica complicado manter esse cara ligado no teu jornal. Mas tentar virar amigo de infância desse telespectador, com jeito de quem vai em seguida convidar pra tomar uma cerva no boteco da esquina, também não dá.

Pulo pra Globo. William Waack trabalha no tom oposto. É sério demais. Tudo pesa. O mundo é difícil. A vida é difícil. Apresentar um jornal é difícil. Ficar sentada no sofá é difícil.

Levanto pra pegar uma Coca com gelo. O JG veicula, naquela semana, uma série especial sobre exploração de meninas e turismo sexual em Fortaleza e Natal. Bacana. Boa pauta. Produção caprichada. Repórter competente. Edição esperta. Tudo dez. Mas aí a Globo vai e pisa no tomate no lugar de sempre. Repete o mesmo erro: dramatiza a notícia. Por mais correta que caminhe a matéria, chega o momento da apelação. Não basta fazer o telespectador se informar, pensar com seus próprios miolos e tirar suas conclusões: é preciso fazê-lo chorar, se indignar, pular do sofá, esbravejar. Pra quê?

Ainda sobre Nascimento: acaba de assumir a bancada. Pretende aumentar a equipe, ter mais repórteres próprios, correspondentes no exterior. Beleza. O mercado agradece. Empregos, oportunidades, movimentação. Vamos ver se encontra a linguagem, o tom certo.

Para onde vamos nós, jornalistas

Sobre o seminário de jornalismo em Brasília, enviei relatos diários para o Comunique-se, mas não deu tempo de abordar – nem aprofundar – os assuntos. Vou organizar as anotações – são muitas – e comentar aqui, tema por tema, pra não ficar chato, a partir de segunda-feira.

Um texto com uma visão bastante pessoal e crítica do assunto como um todo será publicado breve em outro site sobre comunicação e jornalismo. Isso, se os editores aprovarem. Aviso aqui assim que for pro ar.

Seção “continuo errando meu cabelo”

Ela é uma gata, com seus 48 anos recém-completados. O filme, claro, nós sabemos, é uma bomba – mas eu, você e toda a torcida do Corinthians vamos assistir, nem que seja em casa, escondido, no DVD, pra matar a curiosidade. Nós também sabemos que ela está ficando meio doida, que esse negócio de envelhecer em Hollywood é complicadíssimo, que o Botox nem sempre é bem aplicado.

Estou falando de Sharon Stone e da reencarnação da escritora homicida e bissexual Catherine Trammel em Instinto Assassino 2. Mas alguém pode me explicar porque ela continua insistindo em errar nos penteados?



Vassoura-plantada-na-cabeça? (cena do filme)



Botei-o-dedo-na-tomada? (na estréia em Londres)

Wednesday, March 08, 2006

Vergonha

Recentemente, em meu papel de assessora de imprensa, passei vergonha. A repórter enviada pelo veículo para fazer matéria sobre o meu cliente chegou completamente despreparada.

Eu disse: completamente. Totalmente. Escandalosamente. Não razoavelmente. Não que desse pra disfarçar - e ela nem tentou disfarçar a própria ignorância. Calma. A ignorância não era apenas sobre o tema da matéria em questão (não deu tempo nem de ler a pauta no carro, a caminho de fazer a matéria?). Era assim, digamos, sobre a vida em si.

A menina era, assim, de uma nulidade surreal. Nem era arrogante, do tipo não-tô-nem-aí-pra-esse-assunto. Ela até se esforçava. Mas as perguntas vinham de outro planeta. Quer dizer, de quem chegou no planeta Terra agora há pouco.

Na hora de fazer a entrevista com o cliente em questão - eu ali ao lado, a postos, tentando consertar a situação - ficou tudo tão constrangedor, tão embaraçoso, que fiquei com vergonha de ser jornalista.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Sucede-se repetidamente, quando fazemos assessoria de imprensa. O assunto já rendeu debates em sites especializados, artigos de opinião, e é tema constante de papos entre colegas que trabalham no meio.

Nós, jornalistas, que trabalhamos em redação, conhecemos a realidade do dia-a-dia. Sabemos dos apertos, pressão, correria, pouca gente sobrecarregada de serviço, pauteiros enlouquecidos, chefias estressadas, equipes enxutas etc. Como assessores, entendemos tudo isso; e estamos ali justamente para ajudar, cobrir eventuais falhas, prover as informações. A gente trabalha não apenas a favor do cliente, pra emplacar matéria. A gente trabalha para reportagens bem-feitas, com informação correta.

Seria pedir demais que os repórteres estejam, ao menos, interessados no mundo em que vivem? Atualizados, no mínimo, com as notícias da cidade onde moram e trabalham? Seria pedir demais que leiam jornal, revista, livros, acessem portais de notícias na web? Seria exagero esperar - não como assessora, e sim como cidadã - que repórteres sejam pessoas que têm sede de informação, que buscam o diferencial, que se importam com o que acontece em volta deles?

Reproduzo aqui trechos da apresentação do livro Repórteres (editora Senac São Paulo), uma coletânea de "causos" de reportagem, narrados pelos próprios autores - todos eles, feras do jornalismo brasileiro. A coletânea é organizada por Audálio Dantas (ele mesmo um desses "seres" em questão):

"Repórteres, meu senhor, são pessoas que perguntam" - esta é uma definição quase perfeita de repórter".(...)"Repórteres são, pois, seres que perguntam". (...). "O fascínio pela descoberta, pela história ainda não contada, alimenta a alma desses seres que perguntam". (...) "Os jornalistas podem, em algumas funções, ser burocratas. Nunca, porém, quando escolhem o caminho da reportagem. 'Repórter burocrata é impossível', afirma José Hamilton Ribeiro, que viveu o inferno da guerra do Vietnã e de lá voltou sem um pedaço de seu corpo".

Não, não estou pedindo por repórteres heróis, românticos, geniais, aventureiros, inovadores. Um Truman Capote da vida.



Não é todo dia que aparece um, por exemplo, Zé Hamilton Ribeiro, numa redação brasileira. (Há muitos deles por aí, por sinal - excelentes repórteres, trabalhando em grandes e pequenas redações de Norte a Sul do brasilzão, famosos ou não, grandes seres perguntadores).

Estou querendo, apenas, gente que leia. Que escute. Que abra os olhos. Que se interesse e se importe. Não com a pauta do meu cliente. Com a vida, em si, pura e simplesmente, pra começar.
Dá pra ser ou tá difícil?

Ele, o homem, a obra, o filme



Quem ainda não viu: vá ver correndo. "Capote" é uma obra-prima. Perfeito até demais, um filme tão redondo, tão estudado, que quaaaase fica frio. Essa imagem aí de cima é de um momento emblemático do filme - há muitos deles.

Espera: não vá ver correndo não. Pra mergulhar com tudo no universo trumancapotiano, leia antes - se ainda não o fez - "A Sangue Frio" (In Cold Blood), a obra-prima do gênio. Um dos melhores livros do século vinte, arrisco dizer. Devorado o livro - você não consegue desgrudar dele - recomendo que, ainda antes de ir ao cinema, alugue na locadora o filme feito na década de 60, baseado na história do livro. Tem o mesmo título e é P&B.



Robert Blake, aquele ator que atualmente responde a processo, acusado de ter assassinado a esposa (ele, sim, o detetive Beretta da série de TV), faz Perry Smith, um dos assassinos da família Clutter e peça-chave em todas as histórias - especialmente na do filme atual, "Capote".

Depois de ler o livro e ver o filme antigo, vá ao cinema. Sozinho, de preferência, ou acompanhado de alguém que não fale, não tussa, não arrote, não coma pipoca e de preferência não respire.
E depois me conte. Garanto: é uma experiência.

Dia da Mulha

Não!!! Eu me recuso. Não vou falar, comentar, nada, sobre o Dia da Mulher.

Reconheço a importância da data. A luta por melhores condições de trabalho, voto, contra violência doméstica, etc etc etc. As conquistas históricas. O que falta fazer. As mutiladas na África. Isso e aquilo. Tudo certo. Tá. Mas quem quiser falar comigo sobre o tema "muié", por favor, primeiro trate de ler o que escreve esta senhora:



É pra começo de conversa.

Quando eu tiver saco (ôps! ato falho?), lanço o "Dia da Mulherzinha".

Guri bom



Ele não é escandalosamente bonito. Não tem "talento de sobra", como dizem os especialistas (hein??!!) em TV (hã?). Não é celebridade disputada por paparazzi. Não faz pose. Nem tem frases prontas. Não tem saco pro star system. Mas garanto: é um lindo, querido, maravilhoso e tudo-de-bom. Guri bem-criado, desencanado, miolos no lugar. E alguns parafusos desenroscados, pra dar mais charme ao conjunto (não, ele não é galã certinho-estressado).

Será protagonista da próxima novela das oito da Record, que estréia segunda, dia 13. E a mídia (ainda) não dá muita pelota pro rapaz. Gabriel Braga Nunes: aguardem os próximos capítulos. Aposto no rapaz.

Amanhã conto mais. Sobre ele, Record, SBT e outros assuntinhos da mídia. Tá na hora de ir zapear o sorrisão do Nascimento e a cara séria do Waack. Eu prometi que ia ficar de olho, pelo menos essa semana. E vou.

Tuesday, March 07, 2006

Erraram...

A Época errou, né?

Antes de tacar pau, amacio: deram uma bola dentro também. Tascaram perfil da chatinha da Resse Witherspoon, na edição dessa semana, apostando que ela levaria o Oscar no domingo - e levou, claro. Mas, querendo acertar, pisaram no tomate; botaram lá que ela é o maior salário feminino em Hollywood, ganhando US$ 17 milhões em seu mais recente contrato.

Hein???!!! - exclamaria Elle Woods, mais ou menos com a seguinte cara:


Eu, com minha memória estropiada, lembro do dia em que a Julia Roberts assinou um contrato de vinte milhões e tornou-se a atriz com maior salário. Isso já faz um booom tempooooo. Século passado.

Reese acaba de fechar um contrato por US$ 26 milhões vírgula não-sei-quanto (minha memória não é mesmo nenhuma beleza). A imprensa já arredondou pra 27 milhões, como se algumas centenas de milhares de dólares fossem pouca coisa. Mas como é que um erro de dez milhões de dólares passa, numa revista nacional, semanal, o escambau? Todos os sites, jornais, etc, deram essa notícia do maior salário da Reese na semana passada (que coincidência a assessoria da fofa divulgar isso alguns dias antes do Oscar!!!). Ninguém na Época leu?

E a matéria da revista confirma o que postei aqui ontem - só que em tom bem mais suave: a Resse é uma chata de galochas.

Bom, muita coisa mudou na Época nas últimas semanas, não é mesmo?

Por exemplo: cadê a maravilhosa Xongas na última página?

A coluna sumiu por duas ou três edições. Voltou nessa, espremida numa página do meio.

Cadê a coluna de bastidores da política do Thomas Traumann?

Cadê aquela seção "24 horas com fulano", que radiografava o dia de trabalho de uma pessoa e mostrava ângulos interessantes da vida dos entrevistados, com fotos, numa edição esperta, reveladora e gostosa de ler?

Cadê a Maitê Proença e as meninas que dizem Ni? (dessas todas, confesso, não sinto falta. As meninas do Ni careciam de graça genuína. A Maitê escreve bem, sim, mas acho que não é o caso de ficar com coluna semanal em revista como a Época).

Bem, agora, na última página tem um perfil - não lembro o nome da seção - de, adivinhem? Celebridades. Dãããr! Em forma de pingue-pongue, ainda por cima: perguntinhas e respostinhas (fórmula 'consagrada', atualmente, por colunistas sociais que tentam 'inovar' o formato de suas colunas, e conhecida por jornalistas experientes por ser usado na hora da preguiça, ou da correria de fechamento, ou da falta de imaginação, ou por repórteres focas que não sabem o que perguntar para traçar um perfil).

Mais previsível impossível: Paulo Coelho, Fernanda Montenegro, Danusa Leão... pessoas que, imaginem, NUNCA foram perfiladas/entrevistadas pela grande mídia... é que a gente ainda não sabe nada sobre elas, imaginem...

Aí somos obrigados a ler coisas como: o Paulo Coelho respondendo "na cama" à originalíssima pergunta "qual o lugar mais estranho onde você já fez amor"...

Com esse rabicho aí no cabelo, ele deve "fazer amor" onde? À beira do Rio Piedra? E a "mulher amada" depois senta e chora??

Mas a Época também tem acertado - pautas diferentes, voltadas para tecnologia e vida contemporânea, que devem vir da cabeça do novo diretor de redação da revista, Hélio Gurovitz.

Por exemplo: uma baita reportagem sobre direitos autorais e internet, e uma entrevista bem interessante sobre blogs (na edição dessa semana, também).

Mister Simpatia

Ele, o simpático das bancadas de telejornal nacionais. Ele, o sorridente da hora do almoço na Globo, do início da noite na Band, e agora dos finais de noite no SBT. Carlos Nascimento, o cara que consegue ter uma das profissões mais estressantes da paróquia e aparentar estar de bem com a vida eternamente, em qualquer horário. E bronzeadinho, ainda por cima.



O fofo estreou ontem no jornal da noite do SBT. Estreou bem. Fiz uma materinha hoje para o Comunique-se sobre isso. Para comentar mais informalmente, aqui no blog, pretendo assistir a mais algumas edições do jornal. Aguardem.

Por falar em SBT e simpatia, o SBT Brasil, da Ana Paula Padrão, pegou jeito. Está fluindo, redondo. A edição ganhou linguagem própria. Melhorou uns 90% desde a estréia. E a postura da Ana sinaliza isso. Segura, parece feliz, transmite tranquilidade. Ela voltou a ter aquela mistura de desenvoltura com seriedade, na medida certa, que mostrava no Jornal da Globo, e que eu acho que, entre apresentadores, só ela consegue.

E o jornal novo da Record, que meio mundo malhou por ser cópia do JN? Peraí gente. Vamos analisar com frieza? Imparcialidade? Objetividade? Prometo tentar. Assim que eu puder, vou acompanhar por alguns dias os quatro concorrentes do horário: jornal da Band, SBT Brasil, JN e JR. Depois comento.

Susto!

Eu ainda vou ter uma cachorra bem linda, daquelas de raça finíssima, focinho afilado, olhos lânguidos, longos pêlos dourados, corpo longilíneo, só pra batizá-la de Sharon. Em homenagem, claro, ao estouro de mulher que é a Stone. Mas levei um susto quando vi isso na internet:

Ela apareceu assim numa festa do Elton John, domingo. Alguém pode explicar o que deu na bela, pra armar esse cabelo? Tudo bem que visual anos 80 tá na moda. Mas precisa tocar horror em nós, fãs?

Pra compensar, vamos contemplar a foto da última Esquire onde ela arrasa, invocando Catherine Tramell, que volta brevemente, com seu picador de gelo, às telas:



Depois dessa imagem, nada mais a dizer por hoje. Recolho-me à minha pequenez.

Monday, March 06, 2006

Caretice!


Todo mundo pode, todo mundo faz; eu também posso, também faço. Então, vamos falar do Oscar. Assunto inevitável de centenas de blogs e sites de notícias de hoje...todo mundo comentando os prêmios, as roupas, os caubóis gays desiludidos porque não levaram o prêmio de melhor filme, blablabla.

Assisti, sim, como faço todo ano. Até não aguentar mais a chatice. Até presenciar o Seymour Hoffmann levando o prêmio por Capote. Agora eu pergunto: porque cargas d'água a gente AINDA se aluga com o Oscar? Cada ano fica mais careta... a mulherada toda certinha, careta, careta. Cabelinhos presos em coque, todas bonitinhas, make-up correto, cores neutras, muito bege, cor da pele, tudo combinando... chatinhas, chatinhas!!
ninguém faz barbaridades, ninguém fala bobagem... que saco!

Até o Clooney, todo estudado no papel de galã engajado-porém-não-azedo, sempre de bom humor, cool demais da conta, tanto tanto que enche o picuá.

Repito o que digo há anos, uma chata renitente: saudades dos anos 70/80, quando a Cher ia na festa com aquelas roupas absurdas...
... as mulheres exageravam na roupa e no make, as pessoas falavam o que não deviam, faziam discursos políticos radicais, enfim, quando as coisas eram pelo menos imprevisíveis. As esquisitices mais recentes foram o Michael Moore detonando o Bush e a Bjork com o vestido-de-cisne-morto. Que pobreza!!! Que tédio viver sob a era do politicamente correto...

Pelo menos a Catherine Keener tava mais descolada, de cabelo solto, pouca maquiagem, linda.

Quem mais eu achei lindona: Felicity Huffmann, sou fã dela:

Alta, magra, com essa cara diferente, pode tranquilamente usar esse vestido Zac Posen... e ainda por cima acompanhada do William H. Macy, outro esquisitão que amo.

Adorei a roupa da Maria Beltrão, jornalista da Globo que apresentava a festa com o JK, quer dizer, com o JWilker... pena que ela estava sentada, mas deu pra ver que a blusa era linda, a calça e o sapato chiques, cool na medida (para uma apresentadora no estúdio, não para ir à festa, claro!). Sem contar que ela traduzia espertamente, bem informada, animada.

Já aquele apresentador novo da cerimônia...de quinta, sem graaaaaaça... cadê o Steve Martin inteligente, elegante, fofo, engraçado?

E porque a câmera focava tanto o Heath Ledger e a mulher dele na platéia? O tempo todo! E os dois horrendos: ele, completamente sem-graça (FOI lindo e tesudo quando namorava a Naomi Watts), ela com aquele vestido amareeeeeeloooooooo horrorosoooooo! E aquele bocão vermelho! E aquela cara de bunda!!!!
HORROR! MEDA! SUSTO!

MOMENTO ÓDIO TOTAL

Eu gostava dela. Mesmo. Afinal, fez aquele filme bacanérrimo, "Election". E a fofura de 'Legally Blonde". E outras coisas simpáticas. Mas aí, recentemente, andei lendo que aquela carinha meiga é pura fachada. Que nos sets ela é uma vaca cheia de exigências e chiliques. Que administra a carreira com mão de ferro, super controladora, fera, dinheirista, calculista, planeja tudo nos mínimos detalhes.

Quando ela subiu para receber o prêmio de melhor atriz e começou a falar, tirei o som da TV. E vi uma atriz atuando. Atuando DEMAIS!!! Estava igualzinha à Elle (personagem dela em Legally Blonde) fazendo o discurso durante a formatura no final do filme. As mesmas caras, bocas e sobrancelhas de "sou uma mocinha bonita e bem comportada que vocês todos desprezavam mas cheguei aqui com meu talento e garra e não perdi a meiguice". Subi o áudio: o papo era de minha mãe, minha vó, meu marido, minha filha, com uma lagrimazinha pendurada no canto do olho mas que nunca caía. Jesus! Que frieza! Ela ensaiou muito! Ela tinha certeza absoluta que ia ganhar! Agora eu tenho certeza: ela é uma vaca de Hollywood! E eu a odeio para sempre!! Tchauzinho pra você também, chatinha de Dior vintage!!!